Estados preveem avanço de seguros em 2026, apesar de desaceleração
Impacto das mudanças climáticas é um dos fatores que devem impulsionar a busca por seguros nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Bahia. Por: Mário Moreira
Apesar das previsões de desaceleração econômica para 2026, os mercados de seguros de São Paulo, Rio Grande do Sul e Bahia projetam um ano positivo. Em todas as regiões, os ramos ligados às mudanças climáticas ganham peso como motores de crescimento, especialmente nos seguros Rurais e Patrimoniais.
São Paulo, responsável por 31% do PIB e 41% do mercado segurador nos segmentos supervisionados pela Susep, segue como o principal polo do setor. A presidente do Sindseg-SP, Patricia Chacon Jimenez, não arrisca números, mas prevê “crescimento sólido” em 2026, mesmo num ambiente econômico mais moderado.
“São Paulo concentra boa parte da atividade econômica e da base segurável do País, o que garante uma resiliência natural mesmo em períodos de desaceleração”, avalia. De janeiro a agosto, o mercado paulista arrecadou mais de R$ 114 bilhões, e a executiva vê continuidade desse avanço.
Patricia Jimenez avalia que a expansão no próximo ano deve ser sustentada pela retomada gradual de investimentos, pela diversificação de produtos e pelo avanço da conscientização do consumidor. “É possível que o crescimento seja um pouco menor que o observado nos últimos dois anos, mas ainda acima da média da economia brasileira, refletindo a capacidade de adaptação e inovação do setor”, afirma. Em 2023 e 2024, a receita do seguro em São Paulo cresceu 11,4% e 15,5%.
Entre os ramos mais promissores, ela destaca o seguro Rural — impulsionado tanto pelo risco climático quanto pelo bom momento da agricultura. A safra recorde superior a 350 milhões de toneladas e a expectativa de novo avanço em 2026 reforçam a demanda. “O agronegócio segue como um motor relevante”, diz Patricia. “O aumento da produção, o uso intensivo de tecnologia e a valorização de ativos rurais ampliam o potencial segurável”, acrescenta.
A construção civil também segue determinante. “O dinamismo da construção civil em São Paulo tem impacto direto sobre o mercado segurador”, afirma. Segundo ela, novos empreendimentos e obras de infraestrutura fortalecem seguros de Obras, Garantias, Patrimoniais, Responsabilidade Civil e Residencial. No ramo Auto — o mais tradicional em um estado com 34 milhões de veículos — a tendência é de “trajetória de crescimento moderado”.
Para 2026, Patricia vê o setor paulista “com fundamentos sólidos e perspectivas positivas”. Ela ressalta a transformação digital, o avanço regulatório e a ampliação da cultura de proteção como movimentos estruturantes. “A agenda de inovação, sustentabilidade e inclusão financeira deve seguir no centro das prioridades.”
No Sul, o Sindicato das Seguradoras do RS projeta um crescimento entre 8% e 12% em 2026. O mercado arrecadou R$ 19,8 bilhões até agosto de 2025. O presidente Ederson Antonio Daronco aponta Patrimoniais, Residenciais, Rurais, Saúde e Previdência como principais vetores de expansão, impulsionados pelo agronegócio e pelo envelhecimento populacional. “Políticas públicas de incentivo, maior digitalização do mercado segurador e recuperação da economia local podem acelerar esse avanço”, diz.
As fortes enchentes que atingiram o estado no último ano interferem diretamente nas perspectivas. “As enchentes históricas tiveram um forte impacto sobre o setor, tanto nas indenizações quanto na conscientização de pessoas e empresas sobre a importância da proteção”, afirma Daronco. Isso intensificou a busca por seguros Residenciais, Empresariais e Rurais e estimulou novas soluções voltadas a catástrofes naturais. “Temos um mercado mais maduro, com produtos mais sofisticados”, diz ele.
No agronegócio gaúcho, um dos mais relevantes do País, a memória de eventos extremos reforça a demanda por proteções mais robustas. Políticas públicas de subsídio e crédito rural que exigem contratação de seguro também devem impulsionar o setor. A safra recorde de 2025 cria um ambiente ainda mais favorável. “A maior produtividade e o valor elevado das safras aumentam o patrimônio a ser protegido”, afirma Daronco.
Na Bahia, onde o mercado arrecadou R$ 8,8 bilhões até agosto de 2025, o impacto climático também orienta as tendências. No início do ano, com chuvas intensas durante o período de férias e Carnaval, as indenizações de seguro auto cresceram 19%. “As mudanças climáticas têm um impacto fundamental na percepção de risco do consumidor, especialmente para o seguro residencial”, diz o presidente do Sindseg-BA, Paulo César Souza Martins. O ramo patrimonial tem avançado especialmente graças ao residencial, que cresceu 16,7%.
A expansão da energia solar é outro vetor relevante: a Bahia já tem cerca de 80 parques solares, e novas usinas no sertão devem ampliar a demanda por seguros de Riscos de Engenharia. A construção do primeiro parque aquático de grande porte do estado também movimenta o setor. A agricultura — 23,5% do PIB baiano — reforça esse cenário.
No oeste do estado, a expansão da área plantada e o aumento do valor dos equipamentos impulsionam o seguro de Equipamentos Agrícolas, cuja arrecadação subiu 10% até agosto. “A busca por soluções tecnológicas encarece os equipamentos e, em consequência, o prêmio pago”, explica Martins.





