CNseg lança Hub Climático e amplia base de dados para riscos ambientais
Ferramenta inaugura uma agenda mais robusta de gestão climática e entrega modelos e dados que fortalecem subscrição, conformidade e gestão de eventos. Por: Vagner Ricardo
O Hub Climático da CNseg, lançado oficialmente durante a COP30, em novembro, em Belém do Pará, chega para fortalecer o conjunto de ferramentas inovadoras disponíveis às seguradoras diante dos riscos crescentes associados a eventos climáticos extremos. Dessa forma, o setor ganha recursos mais avançados para subscrever riscos, calibrar prêmios de forma mais justa e expandir carteiras com segurança.
Na largada, o Hub reúne três soluções: a Ferramenta de Avaliação de Riscos Climáticos (Inundação), a Ferramenta de Conformidade Socioambiental, e o Radar de Eventos Climáticos e Seguros. Outras funcionalidades estão previstas para os próximos anos.
A solução dedicada ao risco de inundações apoia a gestão de riscos climáticos a partir da localização do bem segurado, permitindo medidas preventivas e a oferta de coberturas mais aderentes. O módulo utiliza uma metodologia robusta, sustentada por quatro pilares de dados e modelagem: histórico de ocorrências, sensoriamento remoto de alta precisão, cálculos de probabilidade e balanço hidrodinâmico, além de modelagens hidráulicas e hidrológicas que usam ferramentas 2D, como o HEC-RAS 2D, para gerar um score de risco confiável.
“Com uma melhor compreensão dos riscos climáticos de cada localidade, as seguradoras poderão adotar medidas preventivas e/ou adaptativas, além de oferecer produtos específicos de proteção a seus clientes”, afirma André Vasco, diretor de Serviços às Associadas da CNseg.
Após a etapa dedicada às inundações, a Confederação pretende ampliar o Hub para abranger outros riscos críticos, como ondas de calor e secas severas. Embora enchentes sejam mais frequentes, os dados do Hub mostram que as secas respondem pelas maiores perdas financeiras no Brasil, afetando grandes regiões e setores como o agronegócio por períodos prolongados.
Outra solução do Hub é a Ferramenta de Conformidade Socioambiental, criada para apoiar o cumprimento da Resolução CNSP 485 — que estabelece diretrizes ambientais, sociais e climáticas aplicáveis às propriedades rurais no seguro rural.
O sistema cruza diversas bases públicas, como CAR, listas de trabalho escravo, áreas indígenas e quilombolas, unidades de conservação, áreas embargadas e dados de desmatamento, gerando alertas automáticos em caso de restrições. A versão inicial integra informações de órgãos como MTE, Funai, Incra, Ibama, ICMBio, MMA, INPE, Cadastro Nacional de Florestas Públicas e Iphan, fortalecendo práticas de diligência, governança e conformidade ASG.
O terceiro pilar do Hub, o Radar de Eventos Climáticos e de Seguros, consiste em um levantamento anual dos desastres naturais registrados no País, estimando tanto as perdas econômicas totais quanto os valores indenizados pelo mercado segurador. O Radar faz parte do primeiro módulo do Hub de Inteligência Climática da CNseg e detalha o impacto financeiro de cada evento nos ramos de danos, vida e previdência entre 2022 e junho de 2025 — somando R$ 184 bilhões em indenizações em 67 eventos.
Segundo o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, a ferramenta permitirá um diálogo técnico mais qualificado entre o setor segurador e outros segmentos da economia. “A partir do Radar, será possível saber, em cada evento climático, quanto custou em indenização paga pelo mercado de seguros, calcular o gap de proteção e estimar o impacto direto na economia. Isso subsidia políticas públicas, parcerias e a interlocução de alto nível com o governo”, pontua.
RELATÓRIO DE SUSTENTABILIDADE
A CNseg divulgou o Relatório de Sustentabilidade do Mercado Segurador 2025, reunindo indicadores ASG das seguradoras do exercício de 2024. O levantamento, baseado em dados de 51 empresas que representam 80,7% da arrecadação do setor, mostra que 78,4% consideram critérios ASG nas políticas de investimento; 58,8% aplicam metodologias ASG na gestão de investimentos próprios; e 25,2%, no desenvolvimento de produtos financeiros sustentáveis.
No desenvolvimento e comercialização de produtos e serviços, 56,9% já seguem diretrizes ASG, e 35,3% identificaram produtos com benefícios ambientais, sociais ou climáticos. Na cadeia de valor, 82,4% incluem critérios ASG na seleção de fornecedores. O relatório também aponta que 86,3% das seguradoras identificaram riscos climáticos relevantes, especialmente riscos físicos agudos (60,8%).
As iniciativas reforçam o papel estratégico do mercado segurador na transição para uma economia mais sustentável e resiliente. Com o Hub Climático e o avanço das práticas ASG, o mercado demonstra capacidade para enfrentar desafios crescentes, apoiar políticas públicas e ampliar a proteção diante dos impactos das mudanças climáticas.





