Eleições, ações pós-COP e novo marco reverberam no setor de seguros em 2026
Anos eleitorais modificam a rotina do País, dos negócios e dos eleitores. A de 2026, em especial, encerra um ciclo e abre outro: a última provavelmente com Lula e a primeira sem Bolsonaro competitivo, ainda que sua influência persista. Nesse cenário, partidos e governadores testam novas composições, enquanto a polarização dá sinais de acomodação. Economia, identidades e segurança devem pesar no voto, mas nenhum fator isoladamente definirá o resultado, dizem cientistas políticos consultados pela Revista de Seguros.
A riqueza do tema, por si só, justifica a opção de capa desta nova edição por tratar da sucessão. Mais ainda porque, no campo econômico, anos eleitorais costumam elevar a volatilidade, como mostra um trabalho da CNseg sobre PIB, câmbio e bolsa. Para 2026, porém, o mercado projeta um ambiente mais estável: inflação convergindo, desemprego baixo e possibilidade de queda gradual da Selic — tudo condicionado ao reforço das metas fiscais e ao controle dos gastos públicos. O grande teste virá depois: caberá ao próximo governo avançar na agenda fiscal e definir o espaço para crescimento sustentável, determinando o rumo econômico dos próximos anos.
O legado da COP30 é outro tema da edição. A mensagem é clara: aqueles que conseguirem integrar seguros, ciência e finanças em arranjos coerentes terão acesso ampliado a capital, desenharão políticas mais consistentes e transformarão vulnerabilidade em oportunidade de inovação. Sim, no limite, a tríade ‘seguros–ciência–finanças’ deixa de ser um conceito teórico e se consolida como infraestrutura essencial para a economia de baixo carbono. Em uma era em que extremos climáticos se tornam cotidianos e a regulação avança, a questão já não é se essa convergência ocorrerá — mas quem terá capacidade de acompanhá-la. Ponto.
Duas outras matérias destacam riscos virtuais em nosso entorno. Uma demonstra que o avanço da IA eleva bastante o consumo de energia e as emissões do setor digital. Os dados das pesquisas reforçam a necessidade urgente de gerenciar o impacto ambiental da inteligência artificial e da infraestrutura digital que a sustenta.
Na outra, constata-se que o Brasil não é mais uma fonte inesgotável de água e precisa, portanto, enfrentar o desafio de garantir segurança hídrica e adaptar a economia a um cenário preocupante de mudanças climáticas. Um desenho da crise hídrica já dá seus primeiros sinais.
No plano setorial, há desafios impostos ao mercado. Um é a vigência da Lei 15.040, a partir de 11 de dezembro, introduzindo profundas mudanças no modelo de negócios e na relação entre seguradoras, corretores e consumidores. Um artigo publicado nesta ediçãolembra que o setor de seguros enfrentará uma nova realidade em decorrência da implementação da Reforma Tributária a partir de 2026, quando se iniciará o período de transição para um novo modelo de tributação, com alterações na carga tributária e nas obrigações fiscais às quais as seguradoras estarão submetidas.
A publicação também trata dos riscos à sustentabilidade da Saúde Suplementar, do rearranjo necessário a fazer o seguro rural dar saltos na área coberta e de importantes ações no campo da educação securitária lideradas pela CNseg.
Boa leitura!
Feliz Ano Novo!





